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IPAM apresenta Projeto EU TENHO VOZ no MITsp

19/03/2019

Notícias IPAM

IPAM apresenta Projeto EU TENHO VOZ no MITsp

Na sexta-feira, 15 de março, a 6ª edição da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) foi aberta oficialmente ao público. E como tradição, o evento tem como objetivo trazer o que há de mais recente no setor artístico no Brasil e no mundo, mas também possui uma postura crítica e de debate sobre o cotidiano. Para começar essa série de debates, a juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, presidente do Instituto Paulista de Magistrados (IPAM), foi convidada para participar junto com outros juristas do painel “Infância e juventude, Direito e Liberdade de expressão”, no Espaço Cênico Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo.

Durante duas horas, os juristas apresentaram dados e buscaram debater a realidade social da infância e juventude no Brasil, o papel do teatro nesse contexto e a liberdade de expressão. Além da presidente do IPAM, participaram da mesa o Dr. Antonio Carlos Malheiros (Vice-Presidente do IPAM), Dra. Ana Amélia Mascarenhas Camargo, Dr. Eduardo Dias de Souza Ferreira e a Dra. Laura Benda. A mediação foi feita pelo Dr. José Augusto Vieira de Aquino.

IPAM apresenta Projeto EU TENHO VOZ no MITsp

 “Estatisticamente o local onde mais acontece a violência física e o abuso sexual é nas residências, no seio da família. Precisamos desmistificar a questão de que violência física e o abuso sexual só acontecem em determinados nichos, em determinadas situações. Isso acontece com pobres, ricos, negros, brancos. Essas violências não escolhem sexo, cor ou condição social”, enfatizou a juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, durante sua exposição na mesa.

Através da apresentação de dados oficiais sobre a questão da violência física e do abuso sexual contra crianças e adolescentes, a presidente reforçou que os números oficiais mostram que a sociedade brasileira trata muito mal as crianças e adolescentes. “A criança e o adolescente não é uma responsabilidade exclusiva do Estado, mas sim da sociedade como um todo. E é preciso ter a nítida compreensão do que representa essa responsabilidade mútua. A saúde e a segurança das crianças são responsabilidades de todos nós”.

Após a sua exposição, a presidente do IPAM apresentou o Projeto EU TENHO VOZ, trabalho desenvolvido nas escolas, através da utilização do teatro para combater a violência física e sexual de crianças e adolescentes. A peça “Marcas da Infância”, da Cia Narrar Histórias teatralizadas, retrata três memórias da infância que deixaram marcas difíceis de cicatrizar e aborda a síndrome do segredo, que é aquela que faz a criança ficar quieta por medo, ameaça, culpa, constrangimento ou conflitos psicológicos.

Hertha acredita que a arte cênica e lúdica contribui na compreensão de temas difíceis por parte das crianças. “Um povo que não tem arte vai adotar a violência como forma de comunicação”, disse a presidente do IPAM ao falar sobre como muitas vítimas não encontram espaço para falar e se abrir. “O nosso principal objetivo com a peça é incentivar as crianças e adolescentes a falarem sobre essas situações de violência. Não necessariamente elas irão falar naquele dia para o juiz ou voluntário, mas incentivar a falar com uma pessoa de confiança”, reforça.

Projeto EU TENHO VOZ, que iniciou em 2016, já atingiu mais de 20 mil espectadores em escolas e instituições de diferentes regiões de São Paulo. Atualmente, o projeto conta a parceria com o CNRVV (Centro de Referência às Vítimas de Violência) que ajuda na capacitação dos educadores das escolas e também garante às vítimas um acompanhamento após a denúncia, dando segurança e continuidade ao processo.

Os participantes do seminário assistiram ao teaser do projeto (confira abaixo) e puderam conhecer como esses tipos de violência podem ser discutidos nas escolas através do teatro, do debate e de ações lúdicas.

A juíza Hertha Helena reforçou ainda a necessidade da responsabilização de cada agente da sociedade no combate dos diferentes tipos de violência. “Quando um problema de violência ou abuso sexual chega ao judiciário é porque tudo antes falhou. A família falhou, a escola falhou, a comunidade falhou. Especificamente nessa questão, cada um tem a sua responsabilidade. Precisamos sair da fase do direito ao ter direito e passar para a fase dever de ter deveres. Precisamos deixar de ser omissos no caminho. Precisamos proteger nossas crianças e adolescentes”, enfatizou.

Em 2019, o Instituto Paulista de Magistrados pretende levar o projeto para 60 escolas estaduais e municipais. Com nove montagens internacionais e três estreias nacionais em seu programa principal, o MITsp  acontece até o dia 24 de Março e ocupa 18 palcos paulistanos.

Para saber mais, acesse o site do Projeto: http://www.eutenhovoz.com.br ou do IPAM: http://www.ipam.com.br/2015/